sexta-feira, 7 de março de 2014

O que sou...se sou!



Perdida em meu labirinto
não vejo porta ou saída.
Sombra que vaga o recinto,
parte de um emaranhado.
Sou fio de linha partida
sem ter começo nem fim.
Enredo iniciado no meio,
trama oriunda de mim.
Bifurcação de caminhos
a confundir os destinos...

Sou grito que não acha eco.
Brado que eu mesma renego.
Não volta, nem segue adiante,
rodeia seu som trepidante
e perde-se ao léu,
morrendo sem ver o céu.

Esboço mal delineado
sou fruto do pecado.
Arquivo corrompido,
amor não desejado.
Sonho interrompido,
plano inacabado.

Que façam pouco de mim...
que meus dias passem batidos...
O que sou não importa a ninguém,
nem mesmo o meu tempo sofrido.



(Carmen Lúcia)

Escrevo os versos que me vêm da alma. Isso não significa que falam exclusivamente de mim. As dores, as alegrias, as tristezas ou euforias não são propriedades minhas, somente. Escrevo sobre o mundo. E procuro escrever a verdade. A autenticidade deixa a poesia mais bonita. Óbvio que sempre tem um quê pessoal. Em todas que já escrevi há um pouco de mim.

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