quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sinos

Sinos
   (imagem copiada do Google)

Conto com minha insensata sensatez pra continuar,
com minha imperfeita perfeição pra prosseguir,
com minhas ilimitações limitadas pra desbravar,
com minhas fragilidades pra não desistir.
Conto com meus erros e acertos para reaprender,
com derrocadas e vitórias pra me fortalecer,
entre lágrimas e sorrisos quero me ver
pois assim são escritas as páginas da vida.
E assim foi o ano que se finda,
dores imensuráveis, decepções, fatalidades,
e flores indescritíveis beirando estradas arborizadas
  de um palco descortinado onde se encena a realidade.
Claro que tudo foi aceito como lição,
descarto o peso inútil que me foi provação
e me entrego mais leve pro futuro que descreve
o ressoar de sinos a celebrar o novo ano que virá.

(Carmen Lúcia)
 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tempo de Natal




(imagem copiada do Google)


Tempo de Natal...


Os sinos bradam alegremente...
Anunciam um suposto novo tempo,
tentam arquivar no esquecimento
os contratempos que marcaram a vida,
agentes de todo o mal...
 
Querem incutir o bem
num esforço supremo de alegrar alguém,
como se a dor instalada no peito
pela saudade que nada dá jeito
se esvaísse com as badaladas,
ressuscitando pessoas amadas
ceifadas do âmago de nosso contexto.
 
Estrelas se põem à mostra
acendendo um céu
que de marinho se borda.
O mesmo céu onde a lua aporta
inundando os lugares de prata angelical
de um mundo manchado de vermelho,
molhado de lágrimas, desolado, aviltado
em contraste com a suavidade da noite
inocente, a ofertar a paz celestial.

 
Tempo de Natal...
 
Árvores são enfeitadas com aparato,
luzes coloridas faíscam com recato,
exterioridades expõem beleza e luminosidade
que não alcançam os interiores escuros,
não abrangem o significado da data
nem apontam o caminho da simplicidade
onde o amor transita com humildade.


_Carmen Lúcia_



domingo, 4 de dezembro de 2011

Flor tardia

Flor tardia
(imagem copiada do Google)


 Sou da primavera a flor tardia
escondida na relva escura e baldia
onde o brilho do sol não se aventura
e a luz do luar nunca me vê...

Fruto de sementes corroídas
de solo infértil e devastado
onde cores jamais se aproximam
e o perfume expira já fora do prazo .

Viva, graças às migalhas que o vento
sem contento,sopra em minhas pétalas deflagradas,
e a seiva que esforço em retirar da terra,
derramo em lágrimas poluídas e malfadadas .

Sou o que restou da estação mais bela,
o que ficou pelos cantos, esquecida,
 flor que não cumpriu sua missão,
que  surgiu  quando se foi a primavera.



_Carmen Lúcia_
 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Crepúsculo

Crepúsculo

Observo o crepúsculo...
perco-me em cores
lanço-me ao infinito
retiro-me do mundo
em alma e pensamento
que ao corpo se fundem
numa leveza irreal
esqueço o que é finito
no encontro com o surreal
tonalidades múltiplas
ofertadas pelo céu
misticismo que palpita
magia que convida
a repensar a vida
revertendo o papel
a viver o que ainda resta
do muito que se perdeu
de tudo que ainda pulsa
do tudo que quase morreu...


_Carmen Lúcia_

domingo, 27 de novembro de 2011

Eternizando momentos...

Eternizando momentos...
 (imagem copiada do Google)
 
 
 
Vou eternizar nossos momentos,
guardá-los distantes do tempo,
conservá-los no congelamento
pra revivê-los sem desgastes,
sem mudanças e resgates
quando longe estiveres de mim,
afastando os dias ruins.
 
Vou reforçar tuas pegadas
em todos os cantos do quarto
e em meu corpo as marcas do teu tato.
Nos lençóis, o azul do cetim,
como um céu a presenciar o pecado,
induzindo ao que é proibido,
convertendo o profano em sagrado,
pensando estar próximo o fim.
 
Vou reacender os sentimentos
que fizeste desabrochar em mim
pra que me envolvam a cada momento
enquanto longe estiveres daqui,
feito luzes a projetar nas paredes
 nosso filme  de amor sem fim
ocupando o vazio dos espaços
-o que deixarás quando partires-
até o dia em que aos meus braços voltares
e inundares a mim e os lugares
“de ti”...
 


_Carmen Lúcia_

sábado, 26 de novembro de 2011

Só o amor...






(imagem copiada do Google)



O amor pode gerar
com a mesma intensidade,
em gotas de simultaneidade,
o sorriso da alegria e a lágrima chorada,
a euforia à revelia e a dor já saturada,
a agonia da partida e o júbilo da chegada,
a tristeza em desvario e a satisfação sonhada,
a malícia do desejo
e a candura da ingenuidade,
a mentira tão sincera
e a verdade mais austera,
a experiência não vivida
e a vivência despercebida,
a felicidade bem sentida
dos momentos sacramentados
e os instantes mais marcantes
que fecham ou abrem feridas.


Mesmo diante de desafios,
do certo ou do incerto,
só o amor é capaz de apontar
corretamente os trilhos
por onde devemos passar.



_Carmen Lúcia_


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sonhos de todos os tempos

Sonhos de todos os tempos
(imagem copiada do Google)

 
Pensei que seria fácil realizar os sonhos,
que em cada fase da vida iriam desabrochar
com a mesma intensidade em cada uma...
bastava a vida me chamar...
 
Sonhos de criança, uma brincadeira,
era só sonhar e correr atrás...
alcançar um a um , torná-los realidade
como se fossem  balões de gás
presos com cuidado num barbante
seguros em cada mão
pra que não seguissem adiante
levando a infância inflada de ilusão.
 
Adolescência, sonhos de amor...
Alguns se enroscam em galhos secos,
outros se perdem na roda do tempo
que o próprio  tempo se incumbe de engolir;
os  que restam, vestem lágrimas e alegrias,
ultrapassam a emoção do amor primeiro,
 titubeiam entre chorar e  rir, fazem estripulias
e escrevem as primeiras linhas do amor verdadeiro.
 
E os sonhos vão se esvaindo com o passar do tempo,
tornam-se esmiuçados, capítulos mais aprofundados
de um livro onde o epílogo aguarda, amarelado...
Revelam a realidade, fazem-nos compreender
que os segredos guardados nos sonhos de outrora
perdem o viço e o encantamento, agora...
mostram que tudo tem seu tempo;
o de sonhar voando nas asas da ilusão
e o de sonhar sem retirar os pés do chão.
 
 
_Carmen Lúcia_
 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Lamento

Lamento
Lamento pelo inconcebível,
pelo incabível,
pelo que poderia ser e não foi...
pelo que foi e não se pôde mudar...
Pelo desamor,
pelo botão de flor,
pelo não desabrochar...


Lamento a inocência perdida,
imagem denegrida
arremessada, distorcida,
cotidiano da vida...
Lamento pelo vandalismo,
pelo desprezível e insano
cenário de desafeto humano.

Lamento pela fome doída,

pegadas de idas e vindas
buscando um lugar ao sol...
Pelas palavras prometidas,
mal ditas, não cumpridas,
perdendo-se pelo arrebol

Lamento a alma desprovida,
o descaso pela vida
e todo poder abusivo.
Lamento a lágrima rolada
e o coração corroído
da mãe pelo filho querido...
Lamento o filho nas mãos do bandido

Lamento a existência atribulada,
o amanhã dilacerado,
o nascer inopinado,
o querer e nada ser ...
A indiferença no olhar, que jaz,
o curvar-se ao onipotente...
Viver ou morrer?Tanto faz!

Lamento minha impotência,
procedimento estático
de nada poder transformar...
E em linhas mal traçadas
esboço, derrotada,
meu triste lamentar...

_Carmen Lúcia_

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Palavras, palavras, palavras...

  


   Que as palavras fluam soltas
e falem o que entala a minha garganta,
declamando o que não consigo falar...
Apenas sentir e calar.

Libertas, entre as flores entreabertas,
felizes, contagiando os matizes,
festeiras, celebrando com os colibris
botões de rosas azuis anis,
renascidas com o amanhecer
a decantar o novo que virá,
entonações em simultaneidade com as canções
tocadas em flauta doce,
modulações em sons de blues...

Palavras que não se unem à fusão das cores,
permanecem nítidas, únicas e puras,
paridas do coração, geradas pela emoção,
correndo pelos trigais, dourando os girassóis,
roçando violetas, borboletas, acácias azuis,
vivenciando o desabrochar dos arrebóis,
bendizendo as manhãs de cada dia,
entrelaçando, à noite, a estrela-guia,
e na madrugada silenciam,
pois sabem que o silêncio
faz parte da magia
e acorda a poesia.

_Carmen Lúcia_       

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Entre espinhos e pétalas...




Várias foram as estradas por onde passei
pra chegar onde cheguei.
E não vou parar...
Tenho muito que andar.
Feri meus pés em espinhos
e os esfacelei nas pedras;
também os reguei de carinhos
caminhando sobre pétalas.

Caí e me levantei.
Em tempos escuros me desviei.
Percorri outros caminhos. Desnorteei!
Retrocedi. Parei. Olhei pro chão. Desanimei.
Ergui a cabeça e abri os olhos...
Consegui vê-las!
Mostraram-me o caminho, as estrelas.

E um brilho intenso livrou-me da cegueira.
A ponte podre me levou ao fundo;
senti que ia se acabar o mundo...
Usei todas as forças, até as que me impus,
as que recriei...
E vi no fim do túnel surgir aquela luz...

Segui-a firmemente, até que me repus.
Várias foram as lutas que me derrubaram;
muitas as vitórias que me levantaram.
Planos que não deram certo,
enganos descobertos,
afetos, desafetos,
amores encobertos,
oásis no meio dos desertos...

Enfim, hoje, estou aqui.
Parei pra descansar, mas não estacionar.
A vida é como um rio;
morre se não chega ao mar,
que o espera, submisso,
abaixo de seu nível
facilitando-lhe passar.

É crer sem ver, ou desacreditar.
Durante as caminhadas
encontram-se gravadas
as grandezas da vida,
que muitas vezes
passam despercebidas.
Só quem as percebe,
mesmo sorrindo ou sofrendo,
pode bater no peito, clamando:

-Estou vivendo!
Carmen Lúcia

Percalços da vida



Agora que já fomos tão longe...
Enfrentamos temporais, sufocamos nossos ais,
amparamo-nos, um ao outro, nas derrocadas,
choramos, dançamos, demos gargalhadas,
brigamos como todo casal normal,
amamo-nos e feito cúmplices, em segredo,
guardamos em silêncio nossos momentos...
Inesquecíveis momentos...
Os mesmos que agora jogas para o ar
esperando que o vento os venha dissipar.

Agora que já fomos tão longe
pedes, irredutivelmente, para eu voltar ...
Voltar pra onde? Esqueci o caminho...
Tua caminhada foi meu pergaminho,
andei teus passos sem olhar para trás,
cegamente obedeci aos teus comandos
pensando um dia encontrar a paz...
Mas teimas prosseguir sozinho,
de meus carinhos hoje te desfaz...

São as intempéries do destino,
dragão demolidor de sonhos,
que faz do tempo um momento breve
onde a volta não se cogita jamais
e o percurso se resume em ida
nesse curto espaço que se chama Vida.



_Carmen Lúcia_


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Viver os sonhos seus...

                                                       
Amar demais foi o que fiz...
E por amar assim de meus sonhos desfiz,
jogados fora, deixados pra uma outra hora.
Quis viver os sonhos seus,
ser parte integrante do mais importante
sem perceber que seus sonhos de agora
já não são tão sonhados como outrora.
A ternura que neles havia,
a alegria que antes sorria,
foram-se embora,
apagaram-se com o romper do dia.
Agora é realidade crua e nua.
Recolho os meus, sonhos desgastados,
emperrados pela desolação...
Tornaram-se frios e pesados,
isentos de qualquer emoção.



_Carmen Lúcia_


                                                            

sábado, 15 de outubro de 2011

Coisas do coração...


Quem pode comandar o coração?
Pare de amar! Esqueça!
Controle a emoção!
Enfraqueça 
 as batidas descontroladas da  paixão!                                                                 
E ele segue seu curso
cego e surdo aos apelos
ouvindo apenas sua voz
cumprindo sua missão.
Não ouve o que lhe ordenam,
satisfaz a sua razão.
Como é autêntico o coração!
Mesmo que sua verdade
arrecade dor, sofrimento, ilusão,
não se acovarda, nem se abate.
Ainda que se estraçalhe, 
 se descompasse ante à tentação,
 encara de frente 
o que a mente ressente
e abre as portas pra cada emoção.
Sabe que a vida é pequena
e distende cada momento...
Viver é o que vale a pena,
amar, sofrer, chorar, gargalhar,
seguindo o que lhe sacode,
andando no compasso que pode.

_Carmen Lúcia_


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Aquele sorriso franco




Já não trago o sorriso escancarado
mas um riso teso, meio que forçado...
Se se abrisse em sonoridade esfuziante
certamente não seria livre, mas forjado.
Já não trago nos olhos o brilho de antes
a refletir da vida a alegria pujante.
Olhos que falavam o que a voz não conseguia
e hoje, anuviados, observam calados.
Já não sinto o mesmo frisson
da paixão que arrebata, rouba os sentidos,
nos faz submissos, tira-nos o chão
e nos (en)leva a uma viagem plena de emoção.
Hoje descrevo o que vivi, o que senti,
a essência do que chorei e do que ri,
carícias de pétalas, crueza de espinhos,
sentimentos que transcrevo em poesia
e vejo renascer na folha de papel em branco
a luz que reluzia de meu sorriso franco.
_Carmen Lúcia_

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um olhar de criança (Homenagem ao Dia da Criança)




Com olhinhos deslumbrados
capta toda a beleza...
Com um olhar prolongado
percebe a essência, a natureza...
Não se contenta em olhar;
é preciso tocar, ver, sentir a pureza
que muitos não sentem, não tocam, nem vêem...
Em suas frágeis mãozinhas
uma simples florinha singela
muda de cor, tamanho, valor...
Enfeita o lugar, onde quer que for,
torna-se azul, amarela, furtacor...
Criança tem nos olhos o encantamento
como ponto de partida para o pensamento.
Colhe da vida, o essencial...
Usa a sensibilidade, razão primordial!
“...a capacidade de se assombrar
diante do banal.”(trecho de Rubem Alves)
(Carmen Lúcia)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Despedida






Hoje me despeço do que sou...
Dos meus sonhos amarelados, enroscados
 em teias tecidas por desencantos,
desencadeando planos inacabados,
esboçados pela falta de ânimo,
que se perderam no tempo
por nunca surtirem efeito
lançados ao contratempo,
descorados, imperfeitos,
perdidamente desfeitos.
 
Despeço-me das dores,
das ausências e dos amores,
daquelas que mais senti
daqueles que mais amei
e pelas estradas ficaram
(ou se foram?)
sem uma razão qualquer.
Coisas que ninguém sabe explicar...
E eu criança, menina, mulher,
só, a recomeçar...
 
Despeço-me das feridas
que lembram o passado
que um dia vai passar...
 
 
Recomeço nova fase...
Desponto com a aurora,
sob a luz de um novo brilho
que me guia e revigora,
a luzir o despontar
de meus primeiros cabelos brancos,
marcando nova estação
e o meu sorriso franco
ao lado de velhos amigos, novos amores,
que comigo, entre essências e flores,
também envelhecerão.
 
 
_Carmen Lúcia_

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quem sabe...




Quem sabe...
A manhã ainda se abra
e me ofereça um leque
de cores indizíveis,
tonalidades amarelas
trazendo raios de sol
a brincar pelas frestas das janelas,
roçando pétalas de flores invisíveis,
convite irrecusável
pra viver, amar, a cor dar !
Quem sabe...
A manhã ainda nasça
diferente de todas que já nasceram
e a minha esperança renasça
mais forte que as que morreram
antes mesmo que o dia acabasse,
sem que o som das notas musicais,
interlúdio composto pela beleza da aurora,
me tocasse e me enlevasse
pelo azul do Danúbio,
embora meus passos inertes agora
já não ousam dançar uma valsa.
_Carmen Lúcia_

domingo, 2 de outubro de 2011

Faca de dois gumes






A vida...
Faca de dois gumes;
um lado que disfarça
sem alcançar o cume,
escondendo seus queixumes.
O outro, arrojado,
sem disfarces vai à luta.



Lados distintos: o verso e o inverso.
Um sem corte, outro afiado,
um sem norte, o outro atirado.



O lado cego, negando-se a enxergar,
tentando omitir de si próprio
a realidade...
Só quer encenar,
vestindo fantasia
que o tempo irá retirar.



O lado afiado é o lado verdade...
Desafios suporta e injustiças combate.
Jamais perde a autenticidade.



Vivamos os dois lados...
O cego e o afiado da faca
e assim conheceremos
os dois gumes da vida,
sem ignorarmos nada!



_Carmen Lúcia_

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Amor e poesia




Poesia, assim como o amor
não têm explicação.
Chegam bem de mansinho,
arrebata-nos devagarinho
e nos aprisionam num alçapão.

Acho até que poesia
define bem o amor...
Ou o amor, a poesia.

Os dois entorpecem a alma,
geram asas pra alegria,
acalentam a dor.

Tocam-nos tão profundamente
que ora se chora,
ora se ri,
ora não se sabe
nem pra onde ir.

Na poesia há versos rimados,
compassos ritmados, inspiração.
No amor, há de haver sintonia,
química que propicia
unir razão e emoção.

Quando bem harmonizados
dão-se as mãos, unem-se as almas,
alçam os vôos mais ousados...
O amor pulsando corações apaixonados,
A poesia resultante
da paixão de cada instante...

Ambos tentando explicar o inexplicável.


_Carmen Lúcia_




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Entre tropeços e avessos



Envelheci feito folha de outono
e com ela me deixei levar
pelo vento, de qualquer tempo...
Às vezes, parada obrigatória,
mudava o enredo de minha história,
enroscando-me em empecilhos
a travar meus passos, marcando
as fases desbotadas de ilusão transitória,
persistindo, sem modéstia, em minha trajetória.
Alguns foram vencidos e outros por vencer,
bloqueios impenetráveis vergando estruturas,
fazendo um inverno intensamente gelado,
enrijecendo as mãos que acariciam esculturas,
artesãos a espera de um sol a brilhar
enquanto o branco da estação acentuava
os meus cabelos grisalhos.
Entre tropeços e avessos compulsórios,
duras quedas que me levaram ao chão
e emolduraram o meu íntimo de emoção,
percebi detalhes que jamais teria visto,
não houvesse eu caído
e ter cavado a inspiração,
se não houvesse molhado de pranto
a estrada por onde andei
trazendo-me, vez ou outra, a primavera,
fazendo a vida ficar mais bela.
_Carmen Lúcia_


De vez em quando há primavera




Envelheci feito folha de outono
e com ela me deixei levar
pelo vento, de qualquer tempo...
Às vezes, parada obrigatória,
mudava o enredo de minha história,
enroscando-me em empecilhos
a travar meus passos, marcando
as fases desbotadas de ilusão transitória,
persistindo, sem modéstia, em minha trajetória.
Alguns foram vencidos e outros por vencer,
bloqueios impenetráveis vergando estruturas,
fazendo um inverno intensamente gelado,
enrijecendo as mãos que acariciam esculturas,
artesãos a espera de um sol a brilhar
enquanto o branco da estação acentuava
os meus cabelos grisalhos.
Entre tropeços e avessos compulsórios,
duras quedas que me levaram ao chão
e emolduraram o meu íntimo de emoção,
percebi detalhes que jamais teria visto,
não houvesse eu caído
e ter cavado a inspiração,
se não houvesse molhado de pranto
a estrada por onde andei
trazendo-me, vez ou outra, a primavera,
fazendo a vida ficar mais bela.
_Carmen Lúcia_

terça-feira, 27 de setembro de 2011


Sem emoções

Sem emoções
Ditas-me as regras
e as assimilo,
trafego em teus princípios
se me impões as diretrizes
e nunca vacilo.
Teu credo reverencio
e mesmo sem crer
o vivencio...
Em teu pergaminho
caminho, sem nada ver,
traçando o meu descaminho,
vivendo só por viver.
Será que assim tu me tens?
E as emoções esquecidas,
real sentido da vida,
que afloram sem ser instruídas,
mas permanecem contidas
quando ao meu encontro tu vens?

_Carmen Lúcia_

sábado, 24 de setembro de 2011

Sem lembranças


Recomeço do agora...
Olho as cinzas esvoaçando,
meu interior se esvaziando
levando suavemente o passado
que perde espaço
no decorrer das horas.
Lembranças felizes permeiam o ar,
querem voltar,
teimam em ficar
apesar da decisão irrevogável,
relutância inexorável
de não as levar,
de me libertar.

Difícil resolução tomada
após ter sido amparada
por essas ausências vividas,
pelas reminiscências floridas
no jardim de um tempo
que já se perdeu,
não sobreviveu.

Respiro suas fragrâncias
que não mais inebriam
a imaginação,
só fantasiam a alucinação...
Fantasmas que não mais amedrontam,
perderam o fascínio, são sombras.
Apenas vagueiam
cerceando os caminhos
de pura ilusão.

Recomeço do agora...
Sem pressa, sem hora,
vazia do ontem,
esquecida do outrora.(?)
Fechada a lembranças
que trago fincadas
no cerne baldio
de meu coração.


_Carmen Lúcia_

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Reencontro

Reencontro

Reencontro
(imagem copiada do Google)


Entardece...
Pela janela vejo o tempo passar...
Vibrações febris de cores transcendentais,
variações de azuis, violetas angelicais,
a melodia do vento a sussurrar mistérios
vindos do mundo de lá...
A doçura do momento, hipnotizante,
me envolve num encantamento
ao qual me deixo levar...

O amor passa de repente

arrebatando o que vê pela frente,
exalando seu cheiro a inebriar...
 Essa insanidade empolgante
me prende, por um instante,
 durando a eternidade...

 Reencontro-o entre névoas esvoaçantes
e me perco na emoção de seu abraço,
...como antes...
no frenesi de seus beijos,
 nosso amor em descompasso.

Escurece...
Não mais enxergo o tempo.
O vento espalha o lamento.
A loucura presa por um fio tênue se arrebenta,
cai, se fragmenta
espatifando a magia da divagação,
o encantamento da imaginação,
velando no silêncio, a ilusão,
que nos leva à felicidade
fracionada pelo tempo,
encerrada pela fatalidade.



_Carmen Lúcia_

Sem inspiração, sem você...



Sem inspiração quis transbordar em versos...
Descrever as batidas insossas de meu coração
tentando reativar o que um dia fora emoção
e hoje é um jeito sem jeito de viver...
É um viver por viver, estar viva sem ser...
Sem inspiração quis plagiar meu sentimento
sem saber onde encontrá-lo nesse momento,
se ainda existe ou se perdeu por esse mundo afora
deixando marcas indeléveis de um passado
que nunca passou, mas que o levou embora.
Sem inspiração tentei ainda ser poeta
esmiuçando os parcos instantes que me disseram tanto,
intensificando nossa história dos mais incríveis planos,
meros enganos que aos poucos foram se desgastando
na mesma proporção de meus sonhos insanos.


_Carmen Lúcia_

                     

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Em nome do amor


 Fala-me com doçura...
Necessito embalar-me em tua paz!
Momentos de brandura,
que só tua presença traz.
Ajuda-me a renascer!
Já morri tantas vezes...
Ensina-me a viver!
Quero voltar a crer.
Abraça-me com ternura
e no mesmo compasso
da mesma emoção,
sejamos um só coração.
Afasta-me dos medos,
sombras e fantasmas
que impedem meus passos,
sufocando meus sonhos.
Vens libertá-los...
E juntamente sonhá-los.
Traze-me de volta a mim
antes que seja tarde
e nosso tempo acabe...
Está em tuas mãos...Socorre-me!
Coisas que só o amor pode.


_ Carmen Lúcia_

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A bailarina da tela


A música surge instantânea ...
Basta fechar os olhos
e a melodia se avoluma
num som perceptível apenas
a quem há de mais sensível ...
a quem foi legado
o dom sagrado de perceber
o imperceptível...

As cores, pinta-as o coração...
Tal deslumbre só é compatível às pulsações
de quem define as sensações,
gerando efeitos que invejam o arco-íris,
colorindo uma dança de emoções
num perfeito desequilíbrio da razão...

Uma aura de luz indefinida
define a moldura, incandesce a pintura
da tela que se acautela quando percebida,
revelando a bailarina pisando cristais,
rodopiando espelhos a refletir
fragmentos de amores imortais.

_Carmen Lúcia_

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Esse poema...

Esse poema...

Esse poema...
(imagem copiada do Google)

Esse poema nasceu
quando o silêncio da manhã nascia
e a paz, o espaço percorria
trazendo-me o infinito de você.


Esse poema nasceu
quando o final do outono
bordava tapetes de folhas secas
no dourado ampliado pelo tempo.


Esse poema nasceu
quando a canção virou saudade
e nada mais prevaleceu
e o todo se deflagrou em metades.


Esse poema nasceu
da dor do amor que chega ao fim,
da primavera que não floresceu,
do desencanto que restou em mim.


_Carmen Lúcia_

terça-feira, 2 de agosto de 2011

De mãos atadas

                                        

De mãos atadas

De mãos atadas

Enrosquei-me nos jogos da vida, atrevida,
arrisquei-me a todos eles, avidez descabida,
preparei armadilhas a mim mesma
sem deixar vestígios para a saída.


Quis ser vencedora e me esquivei da luta,
joguei cartas marcadas adulterando a disputa,
preferi os atalhos às longas e árduas estradas
levada por sentimentos que não levavam a nada.


Hoje a vida passa, inatingível e calada,
silêncio que me cobra o fracasso da jornada...
Aceno com os olhos, pois de mãos atadas,
já não posso alcançá-la e cada vez mais se afasta.


_Carmen Lúcia_

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Mal necessário




                                     

Calei meus lamentos sonoros
que clamavam por você.
Tapei todos os meus poros
que exalavam você.
Joguei fora os adereços
que me lembravam você.
Até mudei de endereço
pra me perder de você.
Transformei meu visual
feito pra encantar você.
Troquei meu caminho habitual
pra não encontrar você.
Quebrei os cds de Caetano
que me cantavam você.
Driblei todos os desenganos
causados por você.
Refiz meus projetos e planos
que excluíram você.
Aos poucos retirei de mim
pedaços de você.
Não mais me encontrei...
Em meu lugar, estava você...

_Carmen Lúcia_

Por esse mundo redondo


Por esse mundo redondo
(imagem copiada do Google)


Por esse mundo redondo
sob o orvalho das manhãs
e o esplendor do sol se pondo,
em ostracismo me escondo
vendo a noite acordar estrelas...
Ando e chego ao mesmo ponto
de onde parti atrás de encantos.


Por essa roda viva,
revivo...mas nada me agiganta.
Voo leve... e cada vez mais,
ainda que voando sobre fractais,
o tempo se abre e fecha
enquanto se quebram os cristais,
crivando em meu peito uma flecha.


Por esse mundo que gira
minha cabeça pra baixo pira
esperando do amor, os pedaços,
guiados pela força da gravidade
que atraiam o amor inteiro
em prol da humanidade.


Por esse moinho rodando
jogo-me entre suas duas mós
remoendo o que prende minha voz,
pra que meu eu se transforme em nós,
múltiplos andarilhos errantes
afugentando o fantasma algoz
em busca do que satisfaz,
do que não se desfaz,
do que mais apraz.
Da paz.


_Carmen Lúcia_

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Naquela estação


Naquela estação
(imagem copiada do Google)


Ficaste naquela estação...
Pra onde foste? Não sei.
Sob o impacto de súbita parada
de ti me desvencilhei,
e o trem que sonhos trilhava,
pra ti, num papel em branco,
traçava a última jornada.

Até então seguimos juntos,
felizes na mesma viagem,
permutando planos, sonhando etapas,
sorrisos que tramitavam
um futuro próspero e acolhedor,
sem contarmos com a difícil chegada
onde a dor, sem dó, se acomodava.

E ali tu desceste
suavemente, sem adeus,
feito pétala arrancada
docemente adormeceu...
O trem seguiu seu trajeto
roubando-me todo o afeto
sem perceber minha emoção,
desafiando meu pranto
a inundar meu coração.

Quem sabe ainda te encontre
ao descer em qualquer estação
e tua luz me defronte
ao me dar a tua mão.


_Carmen Lúcia_

domingo, 24 de julho de 2011

Trégua



Demos uma trégua!
Que cessem os tambores de guerra,
ouçamos os doces acordes de melodias
entre gritos de dor e almas vazias...

Salvemos os sonhos das noites de orgia...
que voltem a pulsar sãos de monotonia.
Brindemos, da vida, as doces lembranças,
as que se revelam num sorriso franco,
ou no olhar intrigante ao velho realejo
que brinca com a sorte de modo fagueiro.

Cacemos palavras inversas em versos
dos quebra-cabeças da vã filosofia...
Mudemos os fatos...
Façamos um pacto com a poesia.

Alcemos nova bandeira num resgate às suas cores
por ora mesclada de branco do lírio e sangue vermelho
a tremular incrédula entre falsos amores e velhos rancores.

Façamos apologia ao novo dia,
vibremos de esperança no amanhã...
Calemos nossas dores, sejamos matizes
a colorir de amor novos tempos felizes.
                
      _ Carmen Lúcia_