quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Alma feminina



























Aos nãos da vida disse sim.
À intolerância preconceituosa
a ditar uma vida desastrosa
não mais se irá curvar.
Agora sua alma rege normas.
À sociedade hipócrita vira as costas.
e tão feminina consegue se apresentar,
sem o peso da masculinidade imposta
sobre um corpo onde a delicadeza
divina veio se perpetuar.
Feito menina, vira bailarina.
Tão frágil, tão ela, tão rima…
Esquece o engodo que o acometera.
Nas pontas dos pés saltita e gira.
No palco, as amarras de uma vida falsa.
Na valsa, uma nova vida se anuncia.
Afinal, Luísa ou Luís?
O importante é ser feliz!



Carmen Lúcia

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Ao "Poeta das Rosas" (Homenagem Póstuma)




























Dizem que as rosas não falam,
porém hoje exalam orvalhos de dor,
lágrimas choradas como se falassem
a saudade sentida de seu grande amor…
Partiste, deixando o sonho inacabado,
compartilhado com mil desejos
de contigo também sonhar.
E as rosas desabaram
exaurindo fragrâncias de seu autor…
Cravaram caminhos de pétalas,
beiraram de cores teu andor,
foram contigo cantando versos
afagando feridas,
bendizendo teu regresso
à casa onde um dia
 retornaremos
para vivermos outros sonhos
sem lágrimas ou despedidas,
sem dores ou partidas,
somente rosas floridas,
perfumadas, coloridas,
nas que te inspiraste
e num gesto de amor,
poetizaste.



Carmen Lúcia



segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Nova vida






















Liberto a dor.
Debatia-se.
Doía.
Queria sair.
Abri a cancela.
Ela se foi.
Livre, perdeu o rancor.
Tornou-se leve.
Não mais se atreve.
Levou bagagens.
Feridas, marcas, amargor…
Contendas geradas pelo desamor.
Abriu fendas.
A luz invade.
Cura cicatrizes.
Novas diretrizes
vêm pra demarcar.
Foca a alma.
Toca o coração.
Conduz à nova vida.
Ressurreição.

Carmen Lúcia



sábado, 2 de dezembro de 2017

Fatos ou suposições?





























Essa vontade de muros,
de ninguém ultrapassar.
Esse mundo que é nosso
e não ter onde morar,
política da má vizinhança,
egoísmo a tripudiar…
O suicídio da esperança,
desequilíbrio no amar…
O estio sem cigarra
agourando se a chuva virá,
tanta sede a desandar
sobre a terra que desarvora,
 a Mãe-Terra que não chora
por não ter o que chorar.
O elo de alianças rompido,
o desgoverno corrompido…
Num dia o rio corre,
noutro, morre sem ver o mar.
Tudo me faz refletir:
Qual será nosso porvir?
O que ainda está por vir?
Amanhecerá? 
A manhã será?
O sol ainda brilha…
Haverá?



Carmen Lúcia

domingo, 26 de novembro de 2017

Papai Noel
















Papai Noel,
olha para os retirantes…
Refugiados.Itinerantes.
O que fizeram de errado?
Por que serem crucificados?
Entre outros, inocentes crianças
esperando você e a esperança…
Nem brinquedos! Só viver
num lugar de poder brincar,
sem morrer, nem naufragar…
Mostra-lhes o caminho
se é que pode interferir no destino,
já que é o mais esperado da festa
onde os excluídos pagam pelo pecado
 da sociedade que não sabe o que é Natal.
E Jesus é posto de lado.
Abra-lhes o oceano.
Resgata-lhes os planos.
Apruma-lhes o barco.
Guarda suas renas na incoerência
dessa vida sem sentido,
de Jesus denegrido.
Aparente, apenas.
Segura a mão de quem está esquecido,
engolido pelo leão das arenas…
Dá-lhes ouvido.
Atende às suas cartas que mais do que pedidos,
são gritos de socorro!
Seja as luzinhas brilhando a direção.
A estrela-guia da peregrinação.
Serre as grades de todo portão.
Liberta, um a um, cada irmão.

E segue a trilha do bom Papai Noel,
cumprindo bem o seu papel.

Carmen Lúcia



quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Caravana




















Abranda os passos.
O mundo é um círculo.
Leva sempre ao mesmo lugar.
Não há canto, não há reta,
direção perpendicular.
Alinhe o andar sem intenção de chegar.
Horizonte-se na linha que virá,
 ainda que o tempo se alongue
e as estações tendam a mudar.
Não perca o compasso.
Há primavera em todo lugar.
Siga a caravana no espaço
dos que sonham seus ideais.
E aportam no mesmo cais.
Veja as velas içadas no mar
navegando mistérios abissais,
na calmaria de um sopro de vento
de uma viagem que só leva,
não traz.
Caminha feito as aves
em migração perfeita
caravana rara e feita
de almas que voam
pelas estradas do céu.
Junte-se à comitiva errante.
Se errar, siga adiante.
Há tempo pra recomeçar.

Vigia os pensamentos.
Cuida dos sentimentos.
Conquista o território sagrado…
No comboio da emoção
deposita o coração.
E deixa a vida passar.


Carmen Lúcia




domingo, 19 de novembro de 2017

Vida louca


























Vida, oh vida!
Pra que me convidas?
Um dia és chuva
N’outro és sol
Às vezes diluvas
N’outras, arrebol...
Nem sempre equilibras
Me tiras o chão
Nem sempre és viga
De edificação.
És tão inconstante...
Se não te garantes
Me deixes aqui.
Sigas cambaleante
Buscando...O quê?
Quem sabe procuras
O que te preenches
A parte restante
Do ser...Ou não ser.
Voltes quando puderes
Teu vazio, exime.
Não te subestimes...

Vida, oh vida!
Busque o que te alucina
Segue tua sina
Não vivas esperando.
Espera vivendo.


Carmen Lúcia